7/28/2019

Como lidar com a ansiedade?

A ansiedade é um dos grandes vilões da saúde mental. Quando pensamos demais, nos tornamos vítimas das nossas suposições e vivemos constantemente atormentados por tormentas que nós mesmos criamos.
O termo em inglês, “overthinking”,é perfeito para definir essa situação. Ele significa literalmente pensar demais. Na verdade, fico com inveja que não tenhamos uma palavra assim no português.
Eu sofro de ansiedade. Tarefas que para outras pessoas podem parecer simples, como pedir informações ou levantar para jogar um papel no lixo na sala de aula, são uma verdadeira tortura para minha mente.

A sensação que tenho é que cada sinapse do meu cérebro trabalha em tempo recorde prevendo cada possível cenário para minhas ações. E na ânsia de pensar sobre o que pode acontecer, muitas vezes acabo me esquecendo de viver a realidade para mergulhar nas minhas fantasias.
Sinto que a poesia do verso “deixa acontecer naturalmente”, do grupo Revelação, não é tão valorizada quanto deveria. Deixar acontecer naturalmente pode ser uma tarefa hercúlea para quem tem como hábito se autossabotar constantemente.
Como uma vaca, temos a tendência de ruminar o mesmo pensamento por muito tempo. Mastigamo-lo e o enviamos para o primeiro estômago. Ele volta diferente, um pouco digerido. Mastigamos novamente e ele vai para o segundo estômago, e assim consecutivamente, até que o produto final seja completamente diferente daquela ideia primária. A diferença é que vacas fazem isso para se alimentar: nós fazemos para nos torturarmos.
Quando pensamos demais, nos esquecemos que aquilo que imaginamos pode não ser algo errado; no entanto, os efeitos dos nossos pensamentos são. Você já teve uma noite de insônia antes de uma reunião importante ou depois de uma discussão com alguém que ama? Se sim, me abraça (e me adiciona no Twitter, terra das pessoas ansiosas).
Tenho tentado pensar nas minhas ações como se eu fosse um personagem de videogame. Para exemplificar, digamos que eu seja o Franklin, do GTA V. O objetivo do Franklin é conseguir prosperar na vida. Para tal, ele tem que fazer missões que trarão resultados específicos.
Eu sou o Franklin. Eu controlo o Franklin. Eu sei o que o Franklin precisa fazer para conseguir seus objetivos. Será que iria adiantar eu, enquanto Franklin, tentar convencer o policial que quer me prender ou o ladrão de outra gangue a vir para meu lado?
Não. Eu não controlo as ações deles. Eu posso controlar somente as minhas ações, e é nelas que eu devo me focar.
Outro ótimo exemplo é o The Sims. Já aconteceu de você estar jogando The Sims e colocar comandos específicos esperando um resultado, tipo receber uma promoção no emprego, só para perceber que ela não veio quando você esperava? 
Estando no controle da sua personagem e somente dela, você pode tentar ações novas para conseguir seu objetivo, como se especializar ainda mais na carreira, ou pode se esconder na cama e chorar enquanto pensa no que aconteceu (sim, essa é uma opção).
Meu ponto é que todos nós obviamente idealizamos cenários. Isso é normal. Mas quando isso se torna mais a regra do que a exceção e nos pegamos “overthinking” cada situação que vivemos, está na hora de tomarmos uma atitude.
Que atitude? É nessa hora que você vai se frustrar comigo, porque infelizmente não tenho a resposta certa. Vou dizer o que tem funcionado para mim. Cada vez que me pego obcecada com um pensamento a ponto de atrapalhar minha produtividade, tento sair de casa ou trocar de ambiente para refrescar a mente.

Coloco minha playlist de músicas preferidas e canto e danço. Tento entender qual a raiz desse pensamento, por qual motivo ele está dominando minha mente e o que eu posso fazer para mudar isso.
Em vez de focar no problema e pensar sobre ele até meu cérebro doer, tenho tentado olhar para o que pode resultar dele. Se estou ansiosa para uma conversa, mantenho meu foco nos pontos que eu quero que sejam debatidos, ao invés de pensar no que acredito que a pessoa deve me falar.
Muitos comportamentos podem ser nocivos para pessoas ansiosas. Se você está ansioso por uma resposta que não veio, não vai adiantar de nada ficar encarando o celular. Em vez disso, guarde-o em algum lugar e tente assistir um filme ou algo que te distraia. Mude a senha para complicar seu acesso a ele.
Dedique um tempo para você e seja o único foco da sua atenção. Seja escrevendo o que está te frustrando ou fazendo atividades que considere prazerosas, tenha a certeza de ser o único foco da sua atenção. Lembre-se de ser mais gentil com você mesmo.
Não guarde seus pensamentos e sentimentos nocivos. Isso não quer dizer que você tenha que sair falando tudo o que pensa. Infelizmente temos que ter algum tipo de filtro. Mas é importante nos expressarmos mais e fazermos mais do que queremos. Muito da ansiedade vem da expectativa de algo que poderia ter acontecido ou ter sido dito.
E, por fim, lembre-se da importante lição do Rafiki, no Rei Leão (e se você nunca assistiu O Rei Leão, como você ousa?): o passado pode machucar, mas você pode fugir dele ou aprender com ele. Será que adianta você ficar remoendo aquela conversa de 5 anos atrás em que você não falou tudo o que queria ou é melhor tirar essa experiência como aprendizado?
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