7/24/2013

O mito da beleza e a questão da identificação das crianças negras.




Desde pequenas as crianças começam a espelhar-se nos padrões da mídia: aquela modelo que está em todas as revistas, aquela boneca que ganharam de presente, aquela cantora que todo mundo sabe as canções. Esse espelhamento era uma formar de moldar o caráter da criança e de levá-la ao próprio reconhecimento.
Na minha infância, vivida nos anos 90, não eram muitos os modelos decorrentes da mídia que fossem negros. Aliás, não eram muitas as negras presentes na mídia, ao menos no que me lembro. Por isso, o espelho tanto de crianças brancas quanto de crianças negras era quase sempre uma modelo branca. Foi assim por exemplo na época da Fada Bela, em que, me lembro bem, muitas meninas queriam ser iguais à Angélica. Era assim também com os brinquedos, uma vez que bonecas negras eram mais raras. Me lembro até hoje do dia em que ganhei minha primeira Barbie negra e da identificação que senti com ela. Ela tinha um vestido rosa e uma coroa de princesa. Me lembro da primeira vez que fui brincar com minha Barbie na casa das amiguinhas de infância, e da primeira frase que ouvi em relação à ela: "Ahhh que legal essa Barbie que você ganhou! Ela pode ser a empregada da minha!". Lembro também da aversão que minha prima mais nova tinha à Polly Pocket negra que eu dei de presente para ela: sempre dizia que era a mais feia das bonecas que ela tinha.
Isso gera uma situação cíclica de falta de modelos negros que, por consequência, culmina na questão da falta de identidade e, também, de uma aversão à própria identidade. Explico: as crianças negras começam a não gostar das bonecas negras (como a minha prima) porque fazem com que elas se sintam não representadas, mas sim ressaltadas. sentindo-se como diferentes, uma vez que ela própria não se identifica com a boneca, mas as pessoas à sua volta assim o fazem. E as crianças brancas hostilizam as crianças negras porque elas também não vêem outros modelos que não os dela, e porque elas se espelham nas ações dos seus pais, dos atores da novela, etc.
A principal diferença entre a minha época (que, na verdade, não faz muito tempo) e agora é que hoje em dia, além de existirem muito mais modelos de mulheres negras na mídia do que antigamente, existem mais formas de buscar mudar esse quadro, com o auxílio, por exemplo, da internet. Essa tomada de consciência é importante para que os preconceitos enraizados desde crianças estejam cada vez mais próximos do seu fim.
Deixo aqui o link de um vídeo que ilustra muito bem isso.






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