11/20/2012

Devo incluir Lisboa em meu roteiro? Apresento motivos para decidir que sim.



Já conhece Lisboa? Se a resposta for negativa, espero conseguir te convencer, através desse post, a colocar essa cidade incrível na sua lista. Fui para lá recentemente e estou completamente apaixonada; por isso, quero dividir um pouco da minha experiência aqui.
Ao chegar em Lisboa, tem-se a opção de pegar um táxi, ónibus suburbano ou metro até o centro da cidade. Isso mesmo, metrô. Lisboa tem uma rede de metrôs composta por quatro linhas, e todas se comunicam entre si, cobrindo boa parte da cidade e fazendo com que a locomoção via metro seja ótima. De lá, rumamos para a casa de nosso amigo, que fica perto da estação Alameda.
No primeiro jantamos em um restaurante com comida brasileira muito bom chamado Chimarrão, o que foi bom para matar a saudade da comida de nosso país (afinal, estamos há mais de oito meses morando em Genova), e depois já fomos conhecer a vida noturna intensa de Lisboa no Bairro Alto, bairro com vários bares a preços super acessíveis.
Algumas ruas do Bairro Alto me lembravam o Rio de Janeiro, e vale muito a pena conhecer mesmo quem não é tão adepto da esbórnia, por conta da beleza e peculiaridade do lugar. Mas tome cuidado para segurar sempre a sua bebida com a mão esquerda, se não você ouvirá um coro de portugueses cantando "Mão direita, mão direita é penálti..." e será obrigado a virar todo o conteúdo do seu copo.

Escrito em uma das paredes do Bairro Alto
Desenho interessante em uma das paredes do Bairro Alto
Na ida passamos pelo café A Brasileira, que o Fernando Pessoa costumava frequentar todo dia e que hoje ostenta uma estátua em homenagem ao grande poeta.

No segundo dia fomos até o Mosteiro dos Jeronimos, no bairro de Belém, onde estão os túmulos de Camões, Vasco da Gama, Fernando Pessoa e Alexandre Herculano. Na verdade o túmulo do Vasco da Gama e do Camões ficam numa igrejinha ao lado, e deve-se pagar para entrar. Mas como eu queria muito ver o túmulo do Pessoa, pagamos 7 euros cada um e entramos no mosteiro. É bem bonito e vale a pena visitar. Tem uma sala com uma exposição permanente sobre o Alexandre Herculano, e em um dos murais eles explicam como foi a vinda da família real ao Brasil, as invasões napoleônicas e todo aquele be-a-bá que aprendemos na escola.

Eu e Camões

Mosteiro
Ali do lado já comemos os famosos pastéis de Belém, e devo dizer que não há palavras para descrevê-los. São realmente deliciosos. A fabriquinha é bem ali do lado, e existe há 175 anos. É parada obrigatória para todo turista que quiser começar a se aventurar nas delícias culinárias de Lisboa (que são muitas)! 

Caixinha com 12 pastéis de Belém

Da fábrica fomos para a Torre de Belém, à beira do Tejo, construída no ponto de onde inicialmente partiram as caravelas que foram desbravar o novo mundo.

Torre de Belém

Da torre voltamos andando pela beira do Tejo, aproveitando a bela paisagem. Fomos agraciados com um pôr-do-sol maravilhoso. Como boa apreciadora de poesia, fiquei encantada ao ver que trechos dos poemas de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa, estão escritos ao longo da margem do rio.

Poema de Alberto Caeiro escrito em vários lugares à beira do Tejo

Monumento ao Descobrimento à beira do Tejo

Pôr-do-sol à beira do Tejo

No dia seguinte fomos visitar o Castelo de São Jorge, mas não pudemos entrar porque estava fechado devido à greve geral. Então passeamos pela Alfama, um bairro típico português com pequenas ruas e aonde moram muitos idosos. A impressão que se tem ao passear nesse bairro é a de voltar ao passado, com as roupas penduradas no varal e as senhoras que ficam o tempo todo na janela 'a cuidar' de quem passa.

No início da nossa jornada, encontramos a manifestação contra as medidas de austeridade. Era lindo de ver idosos, crianças, jovens, todos unidos e protestando pacificamente. Infelizmente soubemos no final do dia que a manifestação terminou em confronto com a polícia.
Merkel

  

Depois fomos à beira do Tejo e ficamos sentados com uma garrafa de vinho esperando o pôr-do-sol, que novamente não decepcionou.

Arco da Rua Augusta

Turistando à beira do Tejo



O pôr-do-sol

Então, resolvemos ir à um bar. Conforme consumíamos íamos pagando, o que é costume na Europa como um todo. Pois bem: no final, fomos acusados de não pagar nada. Depois de uma enorme confusão chamamos a polícia e a nossa amiga escreveu no chamado Livro de Reclamações, que todo estabelecimento tem em Portugal e que é fiscalizado todo final de mês para verificar irregularidades. Foi bem chato o que aconteceu e ficamos todos muito irritados, pois foi uma clara demonstração de preconceito (inclusive pessoas falavam mal do Brasil enquanto reclamávamos das falsas acusações). 
No outro dia fomos visitar a faculdade de Letras de Lisboa, que é realmente linda. Logo na entrada pode-se ver desenhos que representam os mais famosos heterônimos de Pessoa:

fonte: Google imagens

A faculdade é muito organizada e conta com uma estrutura muito boa para os estudantes, além de ser muito bonita. E o que achei mais legal é que não tem diferença entre a estrutura das faculdades: a faculdade de Direito, por exemplo, é bem na frente da de Letras e o prédio é muito parecido. No centro acadêmico da faculdade encontramos o seguinte desenho, que eu amei:

Pessoa

Almoçamos no restaurante universitário. O cardápio do dia era bacalhau, que era mais barato que o cardápio alternativo, que era bife, e fomos para a casa Fernando Pessoa, uma espécie de museu em homenagem ao poeta construído no prédio em que ele habitou por 15 anos antes de falecer. Vale a pena visitar e a entrada é gratuita. Tem em exposição alguns objetos pessoais (como o famoso óculos) e a biblioteca dos livros que ele lia constantemente. No quarto (localizado no quarto que ele de fato habitou) encontra-se a cômoda original de Pessoa, em que ele se debruçava para escrever. A noite fomos ver um concerto de fado português em um restaurante típico, na Alfama. Definitivamente me apaixonei.



No último dia fomos para outra cidade, chamada Sintra,  conhecida por seus famosos palácios. Devido ao mal tempo, conseguimos visitar apenas um, o Palácio da Pena. Os preços são um pouco mais caros ali, em comparação a todas as outras coisas que visitamos em Portugal (o ônibus para subir custa 5 euros e a entrada apenas para o Palácio da Pena custa 11. E não, não dá pra subir a pé até o Palácio - ou até dá, mas após um belo dia de caminhada, e realmente não vale a pena). Lá dentro, tem um transfer que leva direto à entrada do palácio (porque na verdade tem o palácio e um enorme jardim com vários outros prédios, com estufas e tudo o mais) e que custa 2 euros. Pegamos o transfer porque estava chovendo muito e nossos guarda-chuvas não iriam aguentar.

Mas valeu a pena, o Palácio é lindo e vendo-o por dentro podemos ter a ideia de como era a vida dos monarcas portugueses (lembrando que aquele é apenas um palácio de verão). 
Espero ter apresentado motivos suficientes para você dedicar alguns dias de férias para conhecer a charmosa Lisboa, berço de tantos elementos presentes na nossa cultura, e se deliciar com as paisagens e os belos cenários portugueses.





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2 comentários

  1. haxixe, haxixe, marijuana!

    Lisboa é das cidades mais incríveis que já conheci... Lendo o relato, lembrei dos momentos semelhantes (como o pôr do sol no Tejo e a esbórnia no bairro alto, do fado na alfama...) e vi coisas novas... A foto do Sandoval ficou sensacional! hahah

    Voltem logo, o pá!

    Beijos,
    Pecora

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  2. Puta inveja branca do caralho (sou muito phyna).
    Quanto mais eu leio o blog, mais eu fico agoniada de vontade, e não vejo a hora de conhecer a Terrinha. De toda minha descendência portuguesa, me sobrou... só a vontade mesmo.
    Saudade de vocês, seus lixos. Voltem logo pq agora tem mais um lugar pra vcs visitarem aqui na São Paulo louca e desvairada: meu cafofo!
    Beijo,
    Rock in Rio de bumbum.

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