10/10/2012

O que visitar no sul da Itália? Conheça a Campânia.

Essa semana fomos conhecer Napoli, no sul da Itália.  A Itália é um país completamente heterogêneo em diversos quesitos que vão desde o linguístico até o cultural. Apesar de se falar a mesma língua na Itália inteira, ou seja, o italiano, em diversos lugares tem-se diferentes dialetos. Aqui em Genova, por exemplo, tem-se o dialeto genovese. E essa semana entramos em contato com um dos dialetos mais conhecidos: o napoletano.
Napoli é uma cidade altamente característica do sul da Itália, e geralmente é motivo de chacota entre as pessoas do norte, que fazem diversas piadas com os napoletanos. Napoli tem problemas sérios com o lixo. A máfia local  transformou em negócio o tratamento clandestino de resíduos industriais, e na cidade acumulam-se pilhas e mais pilhas de lixos não tratados. 
Quando chegamos estávamos um pouco assustados por conta da fama de Napoli, principalmente após oito meses morando no norte da Itália. Saímos da estação e fomos para a rua do bed & breakfast que ficaríamos. O dono, chamado Eugênio, é super atencioso e preocupado com seus clientes, explicou a cidade inteira pra gente e os passeios mais procurados.
Após ajeitarmos nossas coisas, saímos para conhecer a cidade que, apesar de grande, possui um centro histórico pequeno. As atrações vão desde a antiga porta de entrada da cidade até uma rua, chamada Via dei Tribunali, que é uma longa rua reta que parece cortar a cidade ao meio.
Estamos já acostumados com os vicos, pequenas ruelas italianas, mas lá o cenário é diferente: apesar da arquitetura não ser tão diferente daquela do resto da Itália, a junção dessa com a interação humana forma um cenário pitoresco.
Vico típico napoletano, com vários varais de roupas

As diferenças entre Napoli e as demais cidades italianas que visitamos são bem grandes. As pessoas são mais afetuosas e barulhentas, muito mais barulhentas. Nesse vico da foto, por exemplo, logo após eu ter tirado a foto, uma mulher começou a gritar chamando a sua mãe, que provavelmente morava em um dos apartamentos. Eles falam alto, falam com as mãos e falam um italiano muito diferente, muito mais próximo do dialeto do que do italiano em si. 

Fomos jantar na pizzeria mais famosa de Napoli, chamada Michelle. Lá dentro descobrimos que é a pizzeria onde foi gravada a famosa cena de Comer, Rezar e Amar, com Julia Roberts. Tem até uma foto dela com os garçons. Outros famosos, como o Maradona (que já jogou no SSC Napoli e é amado pelos napoletanos) também frequentaram essa pizzeria.




Dos muitos lugares que vimos em Napoli, gostaria de destacar dois: o Castel Sant'Elmo, um castelo no alto de uma montanha, em que se tem uma vista espetacular da cidade de Napoli, com o Vesúvio ao fundo.

O outro é o Castel dell'Ovo, um castelo no meio do mar. Não chegamos a entrar no castelo, mas ficamos ali sentados vendo a paisagem, que é realmente deslumbrante.




VESÚVIO

No dia seguinte pegamos o trem da chamada linha Circumvesuviana que leva de Napoli até o Vesúvio. Uma passagem de ida custa 1,20 euros e uma passagem diária custa 6 euros (mas vale a pena porque com ela você pode circular de metrô, ônibus e trem a vontade e ir até Sorrento, uma bela cidade da qual falarei depois).
Quando saímos da estação (chamada Ercolano Scavi) já haviam pessoas indicando onde poderíamos ir para comprar a passagem para o ônibus que nos leva até o Parco Nazionale del Vesuvio. Chegando no parco, há uma trilha que leva até a cratera do Vesúvio. É coisa de mais ou menos uns 20 minutos subindo até o cume de mais de 1200 metros. A vista de lá de cima é formidável, fora a sensação indescritível de olhar dentro da cratera de um dos vulcões mais famosos. É realmente emocionante. 
Na antiguidade clássica as pessoas não sabiam o que era nem como funcionava um vulcão, o que tornou ainda mais aterrorizante a erupção de 79 d.C. que culminou na extinção de Pompeia. No entanto, até hoje as pessoas tem um respeito enorme pelo vulcão, que é como um ponto mítico e sagrado das cidades que o circundeiam. Dizem que o Vesúvio já deveria ter entrado em erupção novamente, mas que ou ele entrou em estado de dormência ou tem algo que obstrui a passagem da lava, o que causa temor porque demonstra que a força de sua erupção será gigantesca. Apesar do medo, tem muitos vilarejos aos pés do Vesúvio, e as pessoas não se retiram dali porque é um local barato para se comprar casas e terrenos.

A melhor lembrancinha que poderíamos levar do Vesúvio: um saquinho com terra da beiradinha da cratera.

POMPEIA

Depois de ver a causa fomos ver a consequência, ou seja, depois de ver o vulcão fomos ver os vestígios do maior estrago que ele já causou. Pompeia e Erculano são outros pontos míticos para os napoletanos. Pegamos novamente a Circumvesuviana e fomos até a famosa cidade de Pompeia, cuja história vocês podem ler aqui. É realmente impressionante ver o quão bem conservada está a cidade e entender o belo trabalho que fazem os arqueólogos. Não conseguimos ver a cidade inteira, porque precisa de pelo menos seis horas para visitá-la (afinal de contas, é uma cidade). Mas é realmente sensacional percorrer as ruas, ver as ruínas das casas, as pinturas nas paredes, ouvir a história da cidade e ver de forma tão realística como era a vida tantos anos atrás. Na entrada pegamos um audioguia que nos ajudou muito a percorrer a cidade, conhecer mais sobre os templos, as casas, as pessoas que viviam ali. 
Pinturas na parede de uma das casas
Uma das ruas de Pompeia


Praça do Fórum 


Anfiteatro grande




Percorrendo as ruas e ouvindo o audioguia pode-se conhecer detalhes como qual era a rua onde se encontravam os prostíbulos, como vestiam-se as prostitutas na época, onde era e como funcionava a lavanderia, coisas do funcionamento mesmo da cidade. Muitas casas tem pinturas na parede que representam atos sexuais, principalmente na rua dos prostíbulos, em que os clientes desenhavam nas paredes homenageando as prostitutas ou ofendendo-as por terem passado doenças.
Pompeia realmente é um lugar sensacional. Como não conseguiríamos ver tudo, perguntamos para o guarda onde se encontravam os famosos corpos petrificados, e conseguimos ver alguns.








CAPRI e SORRENTO

Por fim, no nosso último dia em Napoli fomos até o porto e pegamos um traghetto que leva até Capri. Tem traghettos e ferries, mas o mais barato (e que também é confortável) é o traghetto. A chegada em Capri é maravilhosa, a ilha é realmente bonita e faz jus à fama que tem. A ilha é formada por duas cidades, Capri e Anacapri, que historicamente eram como rivais que disputavam o domínio (Capri é mais abaixo e Anacapri é em cima das enormes formações rochosas da ilha).
A cidade de Capri é bem desinteressante: é bonita, mas não tem muito para se ver, apesar de sua grande história. O que vale mais a pena mesmo é fazer o passeio de barco ao redor da ilha e o passeio à Grotta Azzurra.
Capri vista do mar


Entrada da Grotta Azzurra. 


Dentro da Grotta Azzurra


A entrada da Grotta Azzura, localizada em Anacapri, é muito pequena (como se pode ver na foto acima), e só é acessível de barco a remo. O barqueiro manda todo mundo se abaixar dentro do barquinho e começa a guiá-lo através de uma corda na parede para sair ou entrar da gruta. Lá dentro ele conta a história da gruta, que antigamente era usada como piscina particular dos imperadores romanos, sobretudo Tibério, que mandou construir uma passagem particular de sua casa até a gruta, passagem essa que hoje é inacessível. O barqueiro começa a cantar para demonstrar o eco de dentro da gruta. O passeio dura pouco menos de 5 minutos, porque é realmente só entrar, dar uma volta na gruta e sair. Mas vale a pena, porque eu nunca havia visto um tom de azul igual esse antes. É realmente maravilhoso.
Por fim, pegamos um traghetto até Sorrento, comune conhecida por seu belo litoral. E de fato é belíssimo mesmo, com uma água azul e limpa, mesmo sendo trajeto de tantos barcos. A cidade lembra as cidadezinhas da Liguria que conhecemos, e é bem bonita, embora pequena. Vale a pena mais pela paisagem mesmo.

Seguindo o conselho do dono do hostel levamos lanche para todos esses lugares, uma coisa que realmente recomendo porque, por serem locais sobretudo turísticos, tem restaurantes muito caros. 


É um passeio que realmente recomendo para todos, é inesquecível.

Baci.
SHARE:

Um comentário

  1. Carol!
    Adorei seu blog!
    Vou passar para a Debrê ler também!!!
    Que viagem gostosa!!! Está com pena de voltar?!

    PS. Não consigo te seguir!!! Como faço?!?

    ResponderExcluir

© Carol Candido. All rights reserved.
Blogger Templates by pipdig