9/19/2012

Siviglia, Milano, Bruxelles e Amsterdam.

Ciao a tutti!

Semana passada começamos as nossas viagens Europa afora (já fomos pra San Marino e pra fronteira da Itália e Eslovênia, mas agora começaram as viagens de verdade). No dia 10, segunda, pegamos um trem para Milão e ficamos na estação de trem até 2h30, quando pegamos o ônibus para o aeroporto. Nosso vôo sairia 06h30 e era a primeira vez que viajávamos via Ryanair.
Por sermos não-europeus, devemos fazer check-in em um balcão diferente. Estávamos com medo porque na polícia federal italiana nos falaram que talvez não poderíamos viajar porque nosso 'permesso di soggiorno' (documento que assegura que estamos em situação legal na Itália) estava vencido e o novo chega só dia 01 de outubro. Mas foi bem tranquilo e não só pudemos viajar como ninguém pesou nem mediu nossas malas em nenhum momento.


SEVILLA
Chegamos em Sevilla cerca de 8h30 da manhã e após pegar um ônibus, nos encontramos com nossa amiga Sara, porque iríamos nos hospedar na casa dela. Fomos tomar café em um bar e já percebi que os espanhóis são barulhentos que nem os italianos. Tinham no máximo 10 pessoas no bar, mas faziam mais barulho que um estádio de futebol.
Sevilla é uma cidade muito bonita e muito quente. De tarde é praticamente impossível sair por causa do calor, que chegou a 30º. A mãe da nossa amiga disse que no verão as temperaturas ultrapassam os 40º e, muitas vezes, até os 50º. Para nossa sorte, nossa amiga tem uma piscina em casa, e é lá que ficávamos durante toda a tarde, saindo só para comer.
Sevilla é uma cidade grande, a quarta maior cidade espanhola, localizada na região de Andaluzia. Nessa região eles falam um espanhol um pouco diferente daquele de Madrid: é muito rápido, algumas palavras são pronunciadas diferente e eles tem muitas palavras que compõe um vocabulário local. Por isso, é um pouco difícil entender o que eles falam, mesmo o espanhol sendo uma língua tão parecida com o português. Acabamos falando sempre em italiano com nossa amiga ou forçando um portunhol para falar com os pais dela.
O centro de Sevilla é uma coisa realmente maravilhosa, me apaixonei. Além de tudo, é uma cidade muito barata, e em diversos lugares se pode comprar uma caneca enorme de cerveja por apenas um euro. Nossa amiga disse mesmo assim isso não é barato para eles, porque o euro vale mais que o antigo dinheiro deles, a Peseta, e por isso os preços aumentaram muito na Espanha com o advento da nova moeda.
Centro

Enquanto passeávamos vimos um carro usado sendo vendido por 1500 euros, e ficamos um pouco chocados. Nossa amiga nos disse que lá um carro usado geralmente não custa mais de 3000 euros. Quando falávamos os preços das coisas no Brasil, o salário com que muitas famílias vivem e outras coisas, ela ficava chocada. E nós nos chocávamos também com a diferença e com a percepção (na prática, porque na teoria todos sabem) do quanto somos explorados no Brasil. 
Na primeira janta a mãe dela nos fez uma paella, e no dia seguinte fez tortillas e um croquete típico espanhol. Realmente uma delícia!
Os espanhóis são muito alegres e é costume deles sair todo dia a noite para beber ao menos uma cerveja. Por isso, os bares estão sempre lotados, principalmente no verão. As pessoas estão sempre na rua e sempre felizes, falando, andando. 
O sistema de transporte de Sevilla funciona bem, e é servido de trams, ônibus e metrô, que é relativamente novo na cidade, tendo sido instalado há 2 anos. Realmente me encantei.


TARDE EM MILÃO
Pegamos o vôo de volta para Milão de manhã, e iríamos só a noite para Bruxellas. Aproveitamos para conhecer Milão, que ainda não havíamos ido. Vimos as coisas mais interessantes em uma hora e passamos o resto do tempo entediados. Milão é uma cidade grande e caótica como São Paulo. Trânsito maluco, cinza, cheia de prédios. Não gostei muito. Visitamos a famosíssima galeria da moda, e gastamos mais tempo dentro da Feltrinelli vendo livros do que vendo as ditas vitrines de grife. Resolvemos voltar para a estação e ir para o aeroporto esperar para ir à Bruxellas.


BRUXELLAS
Foi paixão à primeira visita. É uma cidade encantadora! Muito linda, com pessoas super simpáticas e sempre dispostas a ajudar. Sempre que nos perdíamos, era só parar e abrir o mapa e já vinha alguém oferecer ajuda, perguntar aonde queríamos ir e indicar um caminho mais fácil. 
Uma coisa que me chamou a atenção (e que sempre reparo quando viajo) é a situação dos negros na cidade. Explico: aqui na Itália tem muitos negros, mas geralmente eles realizam trabalhos de menos prestígio ou vendem pulseirinhas e outros artefatos nas praças, e são um pouco discriminados. Em Genova, por exemplo, os negros que tem mais prestígio social são aqueles vindos do Senegal, que se estabeleceram antes e hoje são mais ricos. 
Em Bruxellas, no entanto, não existe essa espécie de separação social. Todos realmente são iguais, quase todos pertencentes a uma mesma classe social, como deveria ser. Ninguém olhou estranho para mim e para o Vi, por exemplo, por sermos um casal interracial (e acreditem, isso ocorre muito). Isso me fez gostar ainda mais de Bruxellas.

A Bélgica é famosa, também, por suas cervejas. E devo dizer que elas correspondem a tudo o que se é dito. São deliciosas! Fomos em um bar com 250 tipos de cerveja, e compramos uma para provar. Tem um bar, chamado Delirium, que é um dos points da cidade, com mais de 1000 cervejas do mundo todo. Nós acabamos não indo nesse bar. Uma comida típica da Bélgica é a batata-frita com diversos tipos de molho. Nossas amigas belgas já haviam recomendado, e é realmente delicioso. Os preços são um pouco mais altos ali, mas pelo que se pode perceber isso não é um grande problema porque as pessoas recebem bons salários.
O sistema de transportes da cidade é maravilhoso, o metrô liga praticamente a cidade inteira e geralmente não se fica mais do que 3 minutos esperando por um metrô. 
Nosso hostel era uma gracinha. Era uma casa grande que o dono resolveu reformar e alugar os quartos. Conhecemos ali dois brasileiros que depois também iriam para Amsterdam. O dono do hostel, chamado Karel, tem um lindo cachorro chamado Cesar, que sempre vinha para nos recepcionar.
Andando pelo centro de Bruxellas, vimos uma barraquinha de bebidas com a bandeira do Brasil. Fomos perguntar se eles eram brasileiros e acabamos fazendo amizade com os donos. Muito simpáticos e fazem uma caipirinha deliciosa. Eles moram em Bruxellas há quase 12 anos, e todos tem mais ou menos a nossa idade. Eles nos falaram muito de Bruxellas, das pessoas, e me encantei mais ainda. 
Fomos juntos para uma balada brasileira chamada Canoa Quebrada, frequentada por belgas, angolanos, brasileiros e congoleses. Tocou até funk! E claro, regado a cerveja belga, né? 
Bruxellas é uma cidade relativamente grande pros padrões europeus, e percorre-la toda é um pouco difícil. Pegamos aqueles ônibus turísticos que mostram a cidade e contam a história toda, e assim conseguimos ver coisas como o Palácio Real, bairros de moradores e o Atomium, que representa um átomo de ferro, com tubos que ligam as 9 esferas. É lindo e considerado um dos cartões postais de Bruxellas; alguns dizem até que é a Torre Eiffel de Bruxellas.
A cidade é toda bilingue, em francês e em neerlandês, mas a maioria da população fala francês mesmo. Obviamente não entendíamos nenhuma das duas e tivemos que nos virar no nosso inglês adquirido assistindo anos e anos de FRIENDS. Mas até que consegui ler algo em francês, fiquei super feliz!
De todas as cidades que fomos agora, Bruxellas é a que mais gostei, talvez pelo ar de felicidade da cidade e pela simpatia de seus moradores, ou pela intensa vida que emana dela. No domingo, quando íamos embora, era o dia sem carro de Bruxellas, então TODOS estavam na rua com suas bicicletas, andando para lá e para cá. Coisa mais linda!


AMSTERDAM
Por fim fomos para Amsterdam. É uma cidade linda também, muito cheia de turistas. Ouvimos muitas pessoas falando em português brasileiro ou em italiano. Sobre Amsterdam, faço minhas as palavras do Vi: "Amsterdam, o lugar onde quase todo mundo anda de bicicleta ou transporte publico (e não é tão pequena assim). A maconha é legalizada e, surpresa, não vi ninguém pedindo dinheiro na rua "pra se drogar" ou fumando no meio da rua causando, escolas e hospitais funcionam. Lugar do primeiro casamento gay do mundo, prostituição legalizada. "
Tudo funciona em Amsterdam e funciona bem. A cidade é preparada para lidar bem com o turismo e também oferecer ao morador holandês tudo que ele precisa. O trânsito de bicicletas é bem grande, às vezes maior que o de pedestres. Os holandeses fumam muitos cigarros, mas não incomodam ninguém quando fumam, e ninguém fuma maconha fora dos coffeshops. As pessoas respeitam muito as leis e a cidade não é um caos. Tem lugar para todo o tipo de gente. As pessoas vão em coffeshop para visitar ou para fumar, compram tranquilamente o que querem, fumam e depois saem, sem disturbar ninguém, ao contrário do que se pensa.
Passeamos pelo clássico Red Light District, aonde algumas das mulheres mais bonitas que já vi na minha vida exibem-se nas vitrines. É muito simples: elas ficam ali, mandando beijinhos e piscando, com lingeries bonitas. Se você se interessar, bate na porta, ela abre e você entra, faz o que tem que fazer e paga. 
Idosos, mulheres, homens, todos passeiam por ali para olhar sem falsos pudores. E é isso que mais gostei em Amsterdam: é uma cidade sincera. Tem museu do sexo, tem prostituição legalizada, tem gente que fuma maconha, e ninguém fica com falsos pudores, julgando. E se você não gosta de nada disso, você tem espaço na cidade também. Tem muitos cristãos na cidade e tem até hotéis cristãos, em que pessoas vão para descobrir roteiros para conhecer Amsterdam sem passar por nada daquilo que acabei de falar. Ou seja, tem realmente espaço para todo mundo e a religião ou crença alheia não interfere na liberdade de ninguém. É lindo isso e a prova de que é possível fazer.
A cidade, chamada de Veneza do norte, é formada por diversos canais que, junto com as casinhas pequenas e estreitas, formam uma paisagem maravilhosa.
Outra coisa que me impressionou foi o Museu da Anne Frank, na casa em que ela e a família se esconderam por anos até serem pegos pela polícia nazista. É realmente interessante e vale a pena ser visitado.
Fomos também ao Museu da Heineken e ao Museu do Sexo. Depois de ir ao museu passei a gostar bem mais de Heineken...hahah. As coisas fecham um pouco mais cedo em Amsterdam, no horário italiano. Deu 2, 3 horas, muitos bares já estão fechados. Mas as pessoas aproveitam muito a cidade tanto de dia quanto de noite.
Nosso hotel era uma estação depois da estação principal de Amsterdam, e no primeiro dia fomos até o centro de bicicleta, o que demorou cerca de 20 minutos, mas valeu muito a pena porque pudemos ver alguns coelhinhos selvagens!


...e torniamo a casa

Após essa semana de aventuras, pegamos o vôo e chegamos em Milão, só que perdemos o último trem e tivemos que passar a noite inteira na estação. Digo que estou velha demais para esse tipo de coisa; uma coisa é passar a noite com amigos, rindo e conversando, outra é passar a noite acordada vigiando a mala. Mas serviu de alguma coisa porque consegui terminar de ler o livro que estava lendo. 
Semana que vem iremos pra Grécia. Depois volto com mais relatos.

Baci.
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2 comentários

  1. Eu não acredito que já terminei de ler seu post.. Quero mais ! É SÉRIO ! Que fantástico, poia ! Tudo tão perfeito.. Aí quando comparamos com o nosso querido Brasil.. Até parece que esses lugares "perfeitos" não existem, somente em filmes ! Adorei o post ! Fiquei super curiosa para visitar esses lugares ! Grécia ? Cheeeeeeesssssssuuuuuuuiiiiiiisssss.. Quero ver fotos !!!!!!!!! IOEHEuioheUIOHEhEIH Beijo grande !!

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