9/29/2012

Atene e Pireo.

Ciao a tutti!

Essa semana tivemos a oportunidade de realizar um sonho antigo, o de conhecer um dos berços da humanidade: a Grécia. Fomos na quarta-feira e voltamos hoje, sexta-feira. Pegamos o trem para Roma e de lá pegamos o avião para Atenas. Devo dizer que a Grécia é linda até vista de cima.

Uma das coisas que me marcou na nossa chegada, em fevereiro, foi quando saímos do avião, em Munique, e sentimos a primeira rajada do inverno europeu, com -17º. Dessa vez, foi a rajada do calor grego que me pegou. Saímos do avião e parecia que estávamos entrando em um forno.
Do aeroporto pegamos um ônibus rumo à praça principal de Atenas, chamada Syntagma. Do ônibus observávamos os arredores da cidade, as casinhas e os comércios. O encanto ia se tornando cada vez maior, bem como a estranheza causada por aquele alfabeto tão diferente do nosso.
Quando chegamos na praça principal todos desceram do ônibus, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi um lixo quebrado, cujo conteúdo havia sido todo versado ao chão. Olhei em volta e vi que aquilo não havia acontecido só com aquele lixo: toda a área da praça estava na mesma situação. De repente, os olhos começaram a arder e a lacrimejar. O nariz doía. Tudo ardia. Na mesma hora soubemos o que era aquilo: gás lacrimogêneo. Deduzimos que houvera alguma manifestação ali. Fomos pro hostel, deixamos as coisas e saímos. Mais tarde descobrimos que ali houvera uma manifestação com mais de 50 mil pessoas, que entraram em confronto com cerca de 5 mil policiais. Depois vimos esses policiais fazendo a segurança do parlamento: ônibus e mais ônibus com diversos policiais, todos grandes e altamente armados.
Atenas é uma cidade grande, capital da Grécia e berço da cultura antiga. A sensação de estar ali foi bem descrita pelo Vi: "estou andando, tomando uma cerveja, e de repente olho para o lado e lá está o Templo de Zeus". Os sítios arqueológicos estão por toda parte, mas isso não impediu a cidade de crescer, tendo uma ala formada por prédios modernos. O turismo é predominantemente pela sua história antiga, mas pode-se ver que a cidade vai além disso.
O imponente Partenon

Visitar a Acrópole é realmente emocionante. Não vou colocar explicações históricas aqui porque imagino que todos já aprenderam alguma coisa sobre os monumentos que falarei, e se não aprenderam dá uma busca rápida no Wikipedia para saber mais.
Subimos as escadas que levam ao topo da colina e ali ingressamos para os caminhos que levavam ao Partenon (templo da deusa Atena) e ao Erecteion (templo de Atena, Hefesto e Erecteu). Não se pode chegar perto do Partenon, pois ele está cercado por cordas e está sendo feito um trabalho de reconstrução muito interessante (em ambos os monumentos, na verdade). A vista de cima da colina, elevada 150 metros acima do nível do mar, é indescritível. Se pode ver com precisão toda a cidade, e lá embaixo Atenas brilha com suas casas brancas ao sol. Foi realmente emocionante.
Descendo às escadas pode-se ir ao Teatro de Dionísio e, descendo pelo outro lado da colina, chega-se às ruínas da Ágora.
Infelizmente muitos dos artefatos encontrados na Acrópole estão em poder dos britânicos, no Museu Britânico, o que gera uma disputa entre Inglaterra e Grécia, uma vez que essa última exige a devolução desses artefatos e a primeira simplesmente ignora. Desse tempo, na Acrópole, restam só as ruínas grandiosas de um passado grandioso.
Muitos outros arfetatos encontram-se no Museu da Acrópole e no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, considerado um dos museus mais importantes do mundo.
Nossa visita à Grécia não estendeu-se às ilhas gregas, por questões de tempo e de dinheiro. No entanto, fomos até uma cidade vizinha de Atenas, chamada Pireu, em que se localiza o principal porto da Grécia. E devo dizer: mesmo sendo no porto, a água do mar é limpa e azul.

Comemos só um prato típico grego, chamado Gyros, que consiste em carne assada cortada em pedacinhos e servida em um pão de pita com acompanhamento de tomate, cebola roxa e um molho chamado tzatziki.

Gyros

Tudo isso regado a uma cerveja grega chamada Mythos (melhor nome impossível). Apreciamos essas iguarias em uma ruazinha próxima ao hostel, da qual se pode ver, ao fundo, a Acrópole. Simplesmente sensacional.
Mas para mim um dos momentos inesquecíveis da viagem foi a visita ao Estádio Panathinaiko.

Panathinaiko, o único estádio de mármore do mundo
Paga-se três euros para entrar e o audioguia é gratuito, e direi mais: essencial. Através da narração do audioguia você consegue saber cada detalhe sobre o estádio de atletismo datado de 566 a.C., que foi construido para receber as festas em homenagem a deusa Atena, as Panateneias, e foi palco de momentos grandiosos dos Jogos Olímpicos Modernos. O estádio é todo construído em mármore e é lindo (para mais informações clique aqui). É emocionante ouvir o passado grandioso do estádio, irritar-se com a sua quase destruição feita pelos cristãos e a redescoberta de sua glória.

Em um certo ponto da visita entra-se em uma caverna, e através do audioguia pode-se saber que ali era o corredor que os atletas percorriam para entrar e sair da pista. Ali também eram realizados rituais pelas jovens mulheres de Atenas: no meio da caverna acendia-se uma fogueira e elas dançavam nuas, desejando para si um bom marido. Enquanto isso, mulheres mais velhas vigiavam as entradas da caverna para que as jovens pudem-se realizar seu ritual em paz.
O momento mais emocionante foi quando o audioguia nos falou para subir no último degrau e observar a vista. Assim o fizemos. E o que vimos ali creio que nunca mais esqueceremos: podia-se ver a cidade inteira, prédios novos e antigos, casas brancas, todas brilhando ao sol. Ao fundo, a Acrópole. E com a nossa sorte, subimos bem na hora do pôr-do-sol. O resultado foi o pôr-do-sol mais bonito que eu já tive o prazer de ver, com o sol como uma bola de fogo lentamente se abaixando e iluminando a Acrópole, que brilhava. Pura poesia para os olhos.



Na Grécia foi o primeiro lugar em que realmente pudemos sentir a crise europeia. Em especial no dia que chegamos, nos chamou a atenção o fato de que tudo na cidade estava fechado; depois soubemos que era por conta da manifestação. No entanto, pode-se sentir e perceber como a crise tem afetado os gregos: muitas pessoas pedindo dinheiro na rua, senhoras de idade trabalhando vendendo como ambulantes embaixo de um calor de acima de 30º, crianças tocando acordeão e pedindo dinheiro, muitos animais na rua, policiamento intenso (o que para mim não é sinal de segurança, pelo contrário), lojas fechadas. Eles falam muito da crise, de como tem afetado a vida deles, das taxas absurdas que pagam, da diminuição da aposentadoria e dos benefícios. E é muito triste ver um lugar como esse ser afetado de tal maneira. Pichações de diversos tipos, desde "Capitalism is killing you" até "die Merkel" podem ser vistas por toda a cidade.

Realização da cerimônia de troca de guardas

No último dia, já prestes a ir embora, pudemos visualizar a tradicional troca de guardas do parlamento, realiza uma vez a cada hora, 24 horas todos os dias. Nessa uma hora que ficam ali, os guardas ficam parados, seja embaixo de sol ou de chuva. Eles são coordenados por um homem do exército (cuja patente não sei) e ficam ali, imóveis, durante uma hora, até que a guarda seja novamente trocada. Enquanto estão parados pode-se ir tirar foto com eles, mas não fomos.
Posição em que eles ficam durante uma hora
Por fim, Atenas é com certeza um lugar peculiar e inesquecível, e vale a pena ser visitada. É do jeito que eu imaginava, mas obviamente bem melhor ao vivo do que nos sonhos. Mesmo com a crise e a constante repressão policial (conforme já mencionei, há um contingente enorme de policiais armados cercando o parlamento, fora os outros espalhados pela cidade) é um lugar que jamais perderá seu encanto e deixará de receber visitas. E espero de coração que a Grécia consiga recuperar-se dessa crise para tornar à grandeza da qual é merecedora.
Semana que vem iremos para Napoli. Depois torno com os relatos.

Baci!
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