8/25/2012

L'Europa non è in centro.

Ciao a tutti!

há algum tempo venho observando as pessoas que conheço por aqui e tenho pensado muito sobre o perfil do europeu. Obviamente não tenho a pretensão de com isso querer dizer que eu sei tudo sobre os europeus, e nem pretendo generalizar dizendo que todo europeu é assim, mas tenho percebido algumas semelhanças no modo geral de se pensar. É claro que um italiano é muito diferente de um alemão, por exemplo. O que eu  quero falar é daquela característica que te faz, por exemplo, ver alguém que fala com as mãos e pensar que é um italiano. Essa característica, de certa forma geral, que faz identificar um grupo.
Dito isso, vamos lá. Tenho observado uma tendência bastante eurocentrista, não só nas pessoas do meu dia-a-dia como também na mídia, na política e em tudo o mais. É aquele modo de pensar que faz com que se coloque a Europa no centro do mundo, considerando-a, juntamente com os Estados Unidos, a grande potência e a grande importância mundial. Isso se dá principalmente em contraste com a América latina. É como se houvesse ainda uma postura um pouco do 'colonizador', do superior, entende? E não é que isso seja consciente: se manifesta em algumas falas, algumas opiniões. Se manifesta, por exemplo, na mídia, que quase não noticia o que acontece em outros continentes, e que fala geralmente da África, por exemplo, pra falar de um africano que veio para cá e roubou ou matou.
Essa tendência também se manifesta nos estudos: as pessoas não tem noção geográfica além da Europa e acham que no Brasil se fala espanhol e que o Chile é uma cidade ou mesmo que não existe. Culturalmente, isso se pode perceber na falta de conhecimento, de cultural geral. Exemplifico: outro dia, na aula de italiano do Vi, fizeram aquela brincadeira que aparece no filme  'Bastardos e Inglórios', em que se escreve o nome de uma personalidade famosa num papel e coloca na testa de uma pessoa, e as pessoas tem que dar dicas até que aquele que possui o papel adivinhe o nome que está escrito. Em certo momento, apareceu escrito "Woody Allen" na testa de um dos meninos do grupo do Vi. Ele deu as dicas "é um diretor famoso" "tem o cabelo branco" "dirigiu recentemente um filme na Itália" "diretor do filme Meia-noite em Paris", e o menino não adivinhou. Depois falaram: "Como se diz madeira em inglês?", e ele disse: "Wood. Há, já sei, é o Tiger Woods". Em outro momento, disseram que o Hugo Chávez era presidente do Chile. Em um outro instante, não souberam quem era Lenin.
Isso demonstra uma falta de cultura geral e histórica, e me faz crer que por mais que a educação no Brasil tenha déficits imensos, ela é mais ampla. Temos um conhecimento geográfico, histórico e cultural muito maior, e não digo só na FFLCH, falo do que se aprende na escola. Nós sabemos muito mais da Europa do que eles sabem de nós. Eles nem ao menos sabem (os jovens de hoje em dia) quais foram os resultados dos longos anos de escravidão no Brasil, como funcionava o escravismo, a situação do negro e a situação atual do Brasil (ah, vá, até podem saber, mas bem pouco).
O mesmo se estende, finalizando, para a literatura. Conhecem bastante da literatura de seus países mas, por exemplo, pessoas que estudam a língua italiana não fazem ideia de quem foi Pirandello ou Italo Svevo. A literatura italiana, para muitos, se resume em Dante, Petrarca e Boccaccio. E eu sempre acho que quem estuda uma língua tem que minimamente pesquisar um pouco sobre a cultura daquilo que estuda.
Enfim, embora eu pudesse exemplificar durante horas, termino por aqui. Isso é assunto pra mesa de bar.

Baci.
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2 comentários

  1. Ma che Bello! Saudades de você e do menor do mundo!
    Mas tenho 2 breves comentários (concordo que isso é conversa pro bar de boas-vindas!):
    1. Imagina essa ideia de 'colonizador' na França ou na Inglaterra! (Se até em Portugal tem, apesar da menor auto-estima do mundo..)
    2. Sempre acho complicado falar de "conhecimento geral" de outras pessoas... Mesmo no Brasil, tem bastante gente (a maioria, se pá) que não sabe bosta de nada. Normalmente a gente convive com pessoas que pensam mais ou menos igual, valorizam mais ou menos as mesmas coisas.. Algo que deu pra perceber no intercâmbio: coisas que pra nós são pateticamente óbvias, tínhamos de explicar, várias vezes. Mas o contrário também aconteceu, "como assim, vc não conhece tal coisa?"

    Mas não conhecer o Woody Allen é triste! Hahahaha
    Milhões de Bacci!
    Magrelha

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  2. Carol,

    Numa aula de POEB da Licenciatura, assistimos a um filme chamado "Quando tudo começa", que retratava o declínio vertical da escola pública francesa nos anos 90. Diversos cortes no orçamento para a Educação resultavam na falta de investimento em infraestrutura e também na carreira dos professores, que precisavam se virar muito pra conseguir trabalhar. Paralelamente, o problema do desemprego (e suas consequências, como a depressão e o alcoolismo) era central, sobretudo na periferia, e com isso as famílias se desestruturavam completamente. A famosa "educação de casa" (manter-se limpo, saber se comunicar e fazer pedidos com gentileza, etc.) simplesmente não existia. O filme acaba de forma positiva graças a um projeto desenvolvido na escola que consegue reunir a comunidade em prol da escola. Mas, de forma conjuntural, percebe-se qual foi o resultado das políticas neoliberais na Europa (e mesmo na França, que é um dos países com uma enorme e admirável tradição de educação pública de qualidade): um completo desastre.

    O seu texto aponta, evidentemente, para um outro caminho. Evidencia a persistência de uma concepção de mundo eurocêntrica e colonizadora, que ignora o restante do mundo em relação à cultura, a política, a economia, enfim, em relação àquilo que constitui as diferenças regionais predominantes em cada canto do mundo.

    Juntando as duas coisas (as consequências negativas do neoliberalismo na política do bem estar social, potencializadas pela crise econômica, e a ignorância da "periferia" do mundo), o resultado só poderia mesmo ser este.

    Como não podemos depositar toda a responsabilidade pela burrice do universo em cima dos governos, o que dizer da mídia e da indústria cultural? Que brecha que ela dá para que Woody Allen seja tão conhecido como Tiger Woods (este último, mais "citado" pelo escândalo sexual do qual foi protagonista do que pelas conquistas no popularíssimo golfe)? Que chance têm Pirandello, Svevo, Vittorini, Calvino, Tabucchi e tantos outros grandes autores de conquistar a atenção de "consumidores" (é assim, hoje, o nome de quem desfruta da Cultura) que hoje estão cantando Michel Teló no mundo todo?

    A coisa vai mal geral.

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