7/17/2011

Qual foi a semente que você plantou?

"Quando os dias são só datas nos jornais,
e horas e minutos são iguais. Se seus amigos
não te dizem nada demais, quando tudo
vira um enorme tanto faz..."
Capital Inicial.

Hoje eu senti vontade de ver gente. Senti vontade de ver amigos, de ter uma conversa diferente, de matar algumas saudades, receber um sorriso e um abraço que simplesmente significassem "sinto sua falta e é bom ter você por perto". Mas o telefone não tocou. E o único contato que tive foram dos meus dedos pressionando nervosamente o controle, virando as páginas do livro ou abrindo a tampa da garrafa da cachaça eslovena que fez meu rosto arder e minhas orelhas queimarem.
Senti vontade de voltar no tempo, por alguns instantes. Disquei diferentes números, ouvi conhecidas vozes e conhecidas desculpas. Conhecidas porque eu também as usava e, por isso, não tinha o direito de julgar quem as usava agora. E de repente me percebi vazia, me percebi um pedaço de carne preenchido de medos, devaneios vãos e uma solidão fabricada.

E de repente me vi correndo nervosamente os olhos pelo cômodo, buscando alguma coisa que não sei dizer. Abri minhas mãos e no meio delas encontrei, meio perdido, um sonho. Era um sonho pequenino, já gasto pelo tempo, com pequenas marcas de decepção, mas que parecia disposto a ser algo. Impressionou-me a força e a disposição daquele sonhozinho. Parecia-me determinado. Assustada, corri com o sonho pelas ruas, gritei para as pessoas, exibi-o para que vissem a importância dele. Mas era como se eu não estivesse ali: todos continuavam a andar, o mundo continuava a girar e ninguém dava a devida importância para o pequenino sonho. Perdi as esperanças e, com os olhos cheios de lágrima, retornei desconsolada para casa, levando comigo o sonhozinho.
Olhei-o, buscando sua desaprovação por meu fracasso de torná-lo real. Mas ele continuava impassível, determinado em sua vontade de ser. Nada o havia abalado. Olhava-me, esperando me passar a força necessária para que eu continuasse a tentar. Saí novamente às ruas, fiz estardalhaço, gritei aos quatro ventos. Nada. Voltei novamente para casa, lágrimas correndo fartas, decepcionada. Mas o sonhozinho continuava firme.
Sorri para ele, admirei sua força. Abri o lado esquerdo do meu peito e com cuidado, alojei-o ao lado do meu coração, buscando passar a força dele para mim, buscando manter-me através de sua coragem e determinação em ser. E, através dele, serei.


Agradeço ao sonhozinho que continua pulsando dentro de mim e me mantendo forte.
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