12/17/2010

Cerco un po' di verità.

Entrou no recinto buscando não encará-lo. Pegava maquinalmente o que tinha que pegar, guardava o que tinha que guardar e buscava a todo custo simplesmente não levantar o olhar. No entanto, era mais forte do que ela, era inevitável. Encarou-o. Ele disse, com um sorriso maligno:
- Covarde.
Sorriu um sorriso triste. Ultimamente, ele havia virado seu maior inimigo. Via nele tudo que não queria ver, aquilo que não desejava encarar. Seus pensamentos percorriam cada milímetro de seu corpo e por fim iam bater em seu coração como uma espécie de gongo que buscava acordá-la, trazê-la à luz e, no entanto, só lhe causavam angústia. O inimigo continuava, sarcástico:
- Louca.
Seus lábios tremeram. Uma lágrima teimou em escorrer, sozinha, queimando-lhe o rosto como a água do banho quente que havia acabado de tomar. Após tal ato de coragem, as outras lágrimas a seguiram, escorrendo fartamente, molhando, teimando, angustiando. Incisivo, o inimigo atacou:
- Lunática.
Olhou para sua mão. Estava armada. Poderia atacá-lo. Seu corpo foi tomado por uma fúria inexplicável. Ergueu o braço pronta para defender-se, a escova em punhos. Respirou. Parou. Pensou. Desistiu. Não desejava ter sete anos de azar. Era melhor continuar encarando-o até que a dor parasse de doer. Resignada, começou a se vestir.
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