7/12/2010

Preciso pegar minhas coisas e partir, viajar...



Engraçado como pessoas tão parecidas podem, ao mesmo tempo, serem tão diferentes. Percebi isso numa conversa peculiar que tive hoje com B. Eu falava sobre meus planos pro futuro, como sempre, incertos. E como sempre, esses planos envolviam fotografia, viagem, liberdade. Essas três palavras são como uma só pra mim. Foi quando ela me disse:
- Mas você não tem medo?
Aquela pergunta me pegou por alguns instantes. Parei, olhei para a tela do msn, sorri. Pensei e repensei. E foi então que meu pensamento voou, e a minha vontade foi dizer: "Não, eu não tenho. Eu não tenho mais medo de ir pra um lugar que não conheço, de conviver com pessoas que não falam minha língua, de ter uma profissão que seja incerta mas que seja o que amo fazer, de não ter que dar satisfação à ninguém e não ter que sobreviver com aquele dinheiro que me é depositado todo mês, não tenho medo de dormir numa rodoviária por falta de lugar pra dormir, não tenho medo de frio, não tenho medo de calor, não tenho medo de gente séria, não tenho medo sair por aí e aprender. Não tenho medo de nunca ser eleita a funcionária do mês, não tenho medo de nunca ser gerente, não tenho medo de fugir da mesmice". Sorri, suspirei fundo. Não poderia dizer isso. Olhei novamente para a tela do msn. E então, respondi:
- Meu único medo é de não viver.

"Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade."
Manuel Bandeira 
SHARE:

Nenhum comentário

Postar um comentário

© Carol Candido. All rights reserved.
Blogger Templates by pipdig