9/13/2009

Rir é mesmo o melhor remédio.






Era um homem. Deveria ter entre 25 a 30 anos, altura mediana, cabelos na altura dos ombros desajeitadamente penteados para trás. Maltrapilho, portava um saco de lixo na mão e algumas poucas moedas na outra. 
Humildemente, aproximou-se de um casal que conversava e, pedindo desculpas por incomodá-los, perguntou, em meio a sorrisos e piadas, se eles poderiam lhe dar uma moeda para ajudar, pois estava com fome. Deram-lhe as moedas e, com o mesmo sorriso no rosto que ele veio, ele se foi. Fisicamente, ele não estava mais ali.
No entanto, sua presença continuava na mente dos dois jovens, que se perguntavam como alguém poderia ser tão simpático em meio a tantos problemas que a vida lhe dava. Vida, injusta vida, que nem sempre privilegia as pessoas certas. 
Pensando nisso, cerca de meia hora depois os dois se encaminharam para o ponto de ônibus para irem embora. Lá, encontraram de novo o mesmo homem que, dessa vez, em vez das poucas moedas, portava na mão um pão de queijo, e dava pequenas mordidas, como que desejando que aquele banquete nunca se findasse. Vendo o casal, abriu um sorriso, cumprimentou-os e ofereceu-lhes um pedaço do lanche, um pouco do nada que tinha. Um simples gesto que teve um impacto enorme.
Talvez aqueles dois nunca mais vejam aquele homem; mas ele, com seu sorriso aberto, sua simpatia e suas graças ensinou àqueles dois uma lição que, possivelmente, jamais esquecerão. Eles ainda permaneceram tempo suficiente para ver o homem entrar num ônibus e, humildemente, pedir ao cobrador para passar por baixo da catraca
Aquele homem, em sua simplicidade, ensinou-lhes uma lição que eles jamais aprenderiam em livros, aulas da universidade ou conversas de bar: o modo como você encara o mundo determina a sua felicidade ou a sua tristeza. Por mais que a vida lhe dê dificuldades, você tem que aprender a lidar com elas, nunca se conformando, mas tirando de cada coisa uma lição e, o mais importante, nunca perdendo o bom-humor. Um sorriso abre portas. Nem que seja para conseguir uns trocados para comprar um pão-de-queijo.





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2 comentários

  1. as vezes me sinto um lixo de reclamar da vida diante tantas coisas.
    Outras vezes, acredito que o pão de queijo do homem, seja outra coisa para mim... mas, que a falta ou a presença tenha o mesmo significado.
    Só sei que a simpatia e sorrisos abrem o coração.
    E o mundo transmite boas energias para pessoas de oração aberto.
    Nada acontece por acaso... esse homem apareceu para ensinar.
    Já deixou seu recado.

    E ninguem melhor que Carolina Feijão Candido para descrever o fato com de forma tão brilhante.

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